{"id":23531,"date":"2026-07-03T04:44:39","date_gmt":"2026-07-03T04:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/nacaoverde.org\/?p=23531"},"modified":"2026-07-03T04:57:46","modified_gmt":"2026-07-03T04:57:46","slug":"sacos-plasticos-cada-vez-mais-frageis-estaremos-a-resolver-um-problema-ou-a-criar-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nacaoverde.org\/en\/sacos-plasticos-cada-vez-mais-frageis-estaremos-a-resolver-um-problema-ou-a-criar-outro\/","title":{"rendered":"Sacos pl\u00e1sticos cada vez mais fr\u00e1geis: estaremos a resolver um problema ou a criar outro?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23483\" srcset=\"https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-300x200.jpg 300w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-768x512.jpg 768w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-18x12.jpg 18w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-860x574.jpg 860w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-580x387.jpg 580w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-1160x774.jpg 1160w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados-600x400.jpg 600w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sacos-plastico-reutilizados.jpg 1336w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A luta contra a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos tornou-se uma das maiores prioridades ambientais do s\u00e9culo XXI. Todos os anos, milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos pl\u00e1sticos chegam aos rios e aos oceanos, comprometendo a biodiversidade, afectando a sa\u00fade humana e gerando elevados custos econ\u00f3micos para os Estados. Perante esta realidade, governos e empresas t\u00eam adoptado medidas para reduzir o consumo de pl\u00e1sticos de utiliza\u00e7\u00e3o \u00fanica. Em Angola, esta preocupa\u00e7\u00e3o ganhou um importante impulso com a aprova\u00e7\u00e3o do <strong>Decreto Presidencial n.\u00ba 122\/25<\/strong>, que institui o Plano de Ac\u00e7\u00e3o Nacional para a Elimina\u00e7\u00e3o Progressiva de Pl\u00e1sticos de Utiliza\u00e7\u00e3o \u00danica.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, importa questionar se algumas das solu\u00e7\u00f5es actualmente implementadas est\u00e3o, de facto, a cumprir o objectivo para o qual foram concebidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A redu\u00e7\u00e3o da espessura dos sacos: solu\u00e7\u00e3o ou ilus\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, tornou-se evidente uma altera\u00e7\u00e3o na qualidade dos sacos pl\u00e1sticos disponibilizados pelos supermercados e estabelecimentos comerciais. Embora aparentem utilizar menos mat\u00e9ria-prima, estes sacos apresentam uma resist\u00eancia significativamente inferior, rasgando-se frequentemente durante o transporte de produtos b\u00e1sicos como arroz, a\u00e7\u00facar, \u00f3leo alimentar, detergentes ou garrafas de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 primeira vista, esta medida parece ambientalmente respons\u00e1vel. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica, produz um efeito paradoxal. O consumidor v\u00ea-se obrigado a utilizar dois, tr\u00eas ou at\u00e9 mais sacos para transportar a mesma quantidade de produtos. Em vez de reduzir o consumo de pl\u00e1stico, aumenta-se o n\u00famero de sacos utilizados, comprometendo precisamente o objectivo ambiental que se pretendia alcan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Como afirma o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente: <\/strong><em><strong>&#8220;<\/strong>A polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos \u00e9 um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo e exige mudan\u00e7as em todo o ciclo de vida do pl\u00e1stico.&#8221;<\/em>  Esta mudan\u00e7a, contudo, deve basear-se na efic\u00e1cia das solu\u00e7\u00f5es e n\u00e3o apenas na apar\u00eancia de sustentabilidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O verdadeiro problema est\u00e1 na gest\u00e3o dos res\u00edduos<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"384\" src=\"https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-23532\" srcset=\"https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image.png 576w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-300x200.png 300w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A investigadora Jenna Jambeck, uma das maiores especialistas mundiais em res\u00edduos pl\u00e1sticos, alerta que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;O verdadeiro problema n\u00e3o \u00e9 apenas quanto pl\u00e1stico produzimos, mas a forma como o gerimos depois de utilizado.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente relevante para Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os registados na pol\u00edtica ambiental nacional, o pa\u00eds continua a enfrentar enormes desafios na gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos. Em muitas localidades, ainda n\u00e3o existem sistemas eficientes de recolha selectiva, reciclagem, valoriza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos ou log\u00edstica reversa. Como consequ\u00eancia, uma quantidade significativa de pl\u00e1sticos acaba depositada em lixeiras informais, terrenos baldios, linhas de \u00e1gua, praias e sistemas de drenagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consequ\u00eancias ambientais: das inunda\u00e7\u00f5es aos micropl\u00e1sticos<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante a \u00e9poca chuvosa, os efeitos tornam-se dram\u00e1ticos. Sacos pl\u00e1sticos transportados pelo vento ou descartados inadequadamente acumulam-se nas valas e canais de drenagem, reduzindo a capacidade de escoamento das \u00e1guas pluviais e agravando as inunda\u00e7\u00f5es que afectam diversos bairros de Luanda e de outras cidades angolanas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os impactos ambientais v\u00e3o muito al\u00e9m da paisagem urbana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar, ao calor e \u00e0s intemp\u00e9ries, os sacos pl\u00e1sticos fragmentam-se lentamente em part\u00edculas microsc\u00f3picas conhecidas como micropl\u00e1sticos. Estes contaminam o solo, os rios e o oceano, sendo posteriormente ingeridos por peixes, aves, tartarugas e outros organismos, entrando inevitavelmente na cadeia alimentar humana.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"557\" src=\"https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-1024x557.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-23533\" srcset=\"https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-1024x557.png 1024w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-300x163.png 300w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-768x418.png 768w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-18x10.png 18w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-580x316.png 580w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-860x468.png 860w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-1160x631.png 1160w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-600x327.png 600w, https:\/\/nacaoverde.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sustentabilidade significa reutilizar, n\u00e3o desperdi\u00e7ar<\/h2>\n\n\n\n<p>Defender sacos mais resistentes n\u00e3o significa defender um maior consumo de pl\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p>A verdadeira sustentabilidade reside na redu\u00e7\u00e3o do consumo de descart\u00e1veis, no incentivo \u00e0 reutiliza\u00e7\u00e3o e na promo\u00e7\u00e3o de produtos concebidos para durar. Um \u00fanico saco reutiliz\u00e1vel pode substituir centenas de sacos descart\u00e1veis ao longo da sua vida \u00fatil, reduzindo significativamente a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e a press\u00e3o sobre os recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O caminho para Angola: investir na economia circular<\/h2>\n\n\n\n<p>Mais do que reduzir a espessura dos sacos, Angola necessita de consolidar uma verdadeira pol\u00edtica de economia circular, baseada na preven\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, na recolha selectiva, na reciclagem, na responsabilidade alargada do produtor e na valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica dos materiais recicl\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas, fabricantes, distribuidores e autoridades p\u00fablicas devem actuar de forma coordenada para assegurar que os produtos colocados no mercado cumpram padr\u00f5es m\u00ednimos de qualidade, resist\u00eancia e seguran\u00e7a. Um saco que se rompe facilmente n\u00e3o representa uma solu\u00e7\u00e3o ambiental. Pelo contr\u00e1rio, gera mais desperd\u00edcio, aumenta o consumo de pl\u00e1stico, provoca insatisfa\u00e7\u00e3o dos consumidores e favorece a dispers\u00e3o de res\u00edduos no ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>A protec\u00e7\u00e3o ambiental exige decis\u00f5es sustentadas por evid\u00eancias cient\u00edficas e avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, e n\u00e3o apenas medidas de impacto visual ou simb\u00f3lico. A sustentabilidade mede-se pelos resultados concretos obtidos na redu\u00e7\u00e3o efectiva da polui\u00e7\u00e3o e na melhoria da qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, defendemos a realiza\u00e7\u00e3o de estudos independentes sobre a qualidade e resist\u00eancia dos sacos pl\u00e1sticos comercializados em Angola, bem como a defini\u00e7\u00e3o de normas t\u00e9cnicas m\u00ednimas que assegurem o equil\u00edbrio entre funcionalidade, seguran\u00e7a e protec\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro sustent\u00e1vel que Angola ambiciona n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00eddo apenas com sacos mais finos. Ser\u00e1 constru\u00eddo atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, inova\u00e7\u00e3o, responsabilidade partilhada entre produtores e consumidores, investimento na economia circular e compromisso colectivo com a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque proteger o ambiente n\u00e3o significa utilizar menos pl\u00e1stico a qualquer custo. <em>Significa utilizar melhor os recursos, reduzir efectivamente os res\u00edduos e adoptar solu\u00e7\u00f5es que funcionem na pr\u00e1tica e n\u00e3o apenas no papel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta contra a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos tornou-se uma das maiores prioridades ambientais do s\u00e9culo XXI. 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